CPI dos Transportes ouve ex-secretário e aprova quebra de sigilo de empresa
Ex-titular da pasta negou irregularidades em contratos de R$ 89 milhões; comissão aprovou requerimentos de quebra de sigilo bancário e fiscal da concessionária.
Por Renata Fontes
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A CPI dos Transportes da ALESE ouviu nesta segunda-feira (22), por mais de cinco horas, o ex-secretário estadual da pasta, e aprovou na sequência a quebra dos sigilos bancário e fiscal da concessionária responsável pelos contratos investigados, que somam R$ 89 milhões entre 2021 e 2024.
O ex-secretário negou qualquer irregularidade nos aditivos contratuais que ampliaram em 34% o valor original da concessão sem nova licitação. Segundo ele, os reajustes seguiram “pareceres jurídicos e planilhas técnicas” e foram aprovados pelas instâncias de controle interno da época.
O momento mais tenso da oitiva ocorreu quando o relator apresentou planilhas obtidas junto ao TCE-SE apontando sobrepreço de até 28% em itens de manutenção de frota. O depoente atribuiu a divergência a “metodologias de referência distintas” e se comprometeu a enviar contra-análise em dez dias.
A quebra de sigilo da concessionária foi aprovada por 5 votos a 2. Deputados da base tentaram restringir o período alcançado pela medida aos anos de 2023 e 2024, mas o requerimento integral prevaleceu. A empresa, em nota, disse confiar “na lisura de seus contratos” e que “colaborará com a investigação”.
A CPI tem prazo até setembro para concluir os trabalhos — o que colocará o relatório final no meio da campanha eleitoral. Nos corredores da Casa, governistas já admitem que o desfecho da comissão se tornou ativo político: o relator é cotado para a disputa de uma vaga federal.