Bastidores: jantar em Aracaju sela aproximação entre grupos rivais do interior
Encontro reservado reuniu caciques do Agreste e do Sul do estado em torno de chapa única de federação; acordo mexe com o tabuleiro da eleição estadual.
Por Otávio Salgado
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Um jantar discreto em um restaurante da zona sul de Aracaju, na noite de quinta-feira (25), pode ter redesenhado o mapa político do interior sergipano. À mesa, 14 lideranças de dois grupos que se enfrentam há duas décadas no Agreste e no Centro-Sul — e que agora ensaiam dividir a mesma chapa de deputados na eleição de outubro.
A costura começou há dois meses, motivada pela aritmética eleitoral: separados, os dois grupos elegeram três deputados estaduais em 2022; juntos, em federação, as projeções internas indicam até cinco cadeiras. O quociente eleitoral, vilão de ambos no último ciclo, virou o cupido improvável da vez.
Segundo três presentes ouvidos pela coluna, o principal nó — quem encabeça a chapa majoritária regional — foi desatado com uma solução salomônica: o Agreste indica o candidato a deputado federal mais forte, e o Centro-Sul fica com a primeira suplência de Senado na chapa da situação, cargo cobiçado pela influência sobre emendas.
O acordo, porém, tem um preço que ainda não foi cobrado: a fidelidade dos prefeitos. Pelo menos quatro gestores do Agreste construíram suas eleições municipais atacando o grupo com o qual agora terão de dividir palanque. “Vai ter foto constrangedora em julho”, ironizou um dos participantes do jantar.
Procuradas, as lideranças citadas não confirmaram nem desmentiram o encontro — o que, no vocabulário da política sergipana, costuma significar confirmação com pedido de paciência. As convenções de 20 de julho dirão se a paz do jantar sobrevive ao cardápio das candidaturas.