Royalties do gás: arrecadação de Sergipe cresce 42% no primeiro semestre
Estado e municípios produtores receberam R$ 218 milhões entre janeiro e junho; especialistas defendem fundo para transformar receita temporária em ativo permanente.
Por Tiago Menezes
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A arrecadação de Sergipe com royalties e participações especiais da exploração de gás natural somou R$ 218 milhões no primeiro semestre de 2026 — alta de 42% sobre o mesmo período do ano passado. O salto reflete a entrada em operação de novos poços da bacia sergipana desde o fim de 2025 e a revisão dos contratos de partilha.
Do total, R$ 134 milhões couberam ao tesouro estadual e R$ 84 milhões foram distribuídos aos municípios, com forte concentração no litoral: Barra dos Coqueiros, Pirambu e Pacatuba respondem, juntas, por mais da metade da cota municipal.
O crescimento da receita reacendeu na ALESE o debate sobre a criação de um fundo soberano estadual, proposta que tramita desde 2024. Pela versão atual do projeto, 25% dos royalties seriam poupados e aplicados, com resgates limitados a investimentos em educação e diversificação econômica.
“Receita de petróleo e gás é herança que se recebe uma vez. Ou vira ativo permanente, ou vira folha de pagamento — e folha não sobra para a próxima geração”, alerta a economista responsável pelo estudo que embasa o projeto. O governo resiste ao percentual e propõe iniciar a poupança com 10%.
Nos municípios produtores, o dinheiro novo já muda orçamentos: Barra dos Coqueiros, que dobrou a receita em três anos, aprovou plano de investimentos de R$ 90 milhões. O TCE-SE, atento ao histórico nacional de má gestão de royalties, anunciou auditoria específica sobre a aplicação desses recursos a partir de 2027.